Cultura - Música

Cami Santiz apresenta “SALINA”, álbum onde o Nordeste ganha corpo no pop brasileiro

27 de Maio de 2026

Cantora amazonense radicada em Natal, converte o imaginário potiguar em um disco de estreia com 9 faixas autorais, que chega às plataformas nesta quinta-feira (28), às 21h

Cami Santiz, a nova artista Pop do Rio Grande do Norte, lança nesta quinta-feira (28), às 21h, seu álbum de estreia, “SALINA”, pelo selo Alá Comunicação. Um trabalho que transforma identidade territorial nordestina, romances litorâneos e sotaque nortista, em linguagem musical. O ponto de partida do álbum surge de uma pergunta simples: se o RN é conhecido como a Terra do Sal e do Sol, por que o sal ocupa um lugar tão discreto? A partir dessa inquietação, Cami encontrou nas salinas potiguares uma poderosa metáfora para sua própria trajetória artística. 

Para além da evidente referência do tempero que realça o sabor, ‘SALINA’ faz menção à produção de sal no Rio Grande do Norte, uma vez que o estado é a segunda maior região salineira do mundo. O álbum busca, desde seu nome, traçar um paralelo entre a produção artística e salineira do Brasil: o sal e a arte brasileira vem, em grande medida, do Nordeste. Mesmo quando suas raízes nem sempre são reconhecidas.

Salina pode ser também um adjetivo – mais que salgada –; salina também é ser parte do Rio Grande do Norte, cuja capital costeira é banhada pelas águas salgadas do Atlântico, e os morros de sal dominam a paisagem no interior. A própria formação do SAL inspira uma das imagens centrais do projeto. Em Mossoró (fotografia da capa do disco) o sal nasce do encontro entre a água doce dos rios e a água salgada do mar. Para Cami, essa convergência também espelha sua própria construção identitária. Nascida na região Norte e criada no Nordeste, a artista encontra nesse cruzamento de origens uma metáfora para sua trajetória, marcada por deslocamentos, misturas e encontros. Entre paisagens solares salgadas e pelos sentidos abrangentes em torno da mística do elemento (o que dá sabor, o que purifica, o que conserva e identifica), o disco de estreia de Cami Santiz sintoniza a sedução dos sentidos por meio do que as várias conexões sonoras aqui convergem para formar o universo do disco.

Musicalmente, SALINA expande a pesquisa sonora iniciada nos singles da cantora. A presença da bregadeira surge como uma extensão natural desse percurso, inspirada por referências que marcaram sua formação musical, especialmente a Banda Grafith e a cultura de paredão tão característica do Nordeste. A figura da sereia, presente desde trabalhos anteriores da artista, reaparece como um dos símbolos. Essa sensualidade também se manifesta como uma escolha estética na forma de interpretação vocal de Cami Santiz, marcada pelo uso da voz  explorando nuances, timbres e intenções que reforçam o caráter íntimo e envolvente das canções. 

A cantora traz para as composições do disco narrativas inspiradas no cotidiano da cidade litorânea, da pele queimada e tonificada pelo sol à brisa do mar sentida no balançar da rede, o descanso na areia, e até os conflitos e fenômenos socioespaciais nas orlas marítimas. Mas sobretudo, o conjunto de canções traz em suas letras os romances em todo o sabor e suculência do sal que se espalha no litoral nordestino. A sonoridade tropical que perpassa o disco é um convite à beira mar. É conduzida por cruzamentos singulares, para dançar ou contemplar. A bregadeira encontra o lo-fi, assim como o chill-wave com a arrochadeira, numa ponte pelo trip-hop, os sons de sintetizadores e as ambiências atmosféricas de guitarras passando em espectro pelas canções. Essa travessia também acontece dentro da própria narrativa do disco. Um interlúdio marca a passagem de uma primeira metade mais solar para um território mais soturno e contemplativo, como quem vê o pôr do sol na praia fazendo a sua passagem para virar a noite. A partir desse momento, as canções assumem atmosferas mais densas, introspectivas e cinematográficas, refletindo diferentes estados emocionais provocados pela paisagem costeira. O álbum “SALINA” propõe-se, então, a ser resultado de uma experimentação musical com ritmos tradicionais nordestinos e latinos em fusão com expressões contemporâneas urbanas. Como quem sai debaixo da luz do sol na areia da praia e passa a ser iluminada pelos neons espalhados pela cidade. 

A capa do disco é solar como a experiência de ouvir o conjunto de canções, e traduz visualmente faixas como Frenesi e Canto da Sereia, mas também invoca a malemolência que há em Sigilo e Latina BB.  Enraizadas na cultura e no território, as imagens que compõem o projeto dão conta da ligação entre corpo e espaço, entre a riqueza dos sentidos (como na sinestesia presente na faixa Pura Puríssima) e a profundidade dos sabores. “SALINA” é tropical, e também sexy. 

Mais do que apresentar um conjunto de músicas, SALINA representa a afirmação de uma identidade artística. É o trabalho em que Cami Santiz reúne suas influências, seu percurso pessoal e sua visão sobre a cultura pop produzida a partir do Nordeste. Segundo Cami Santiz, o disco é resultado do amadurecimento das experiências dos últimos movimentados anos de carreira (que são, ainda, os seus iniciais): “Fui aprendendo e testando tudo em cima do palco. O palco foi meu professor. E com muita terapia, fui me encontrando, vencendo a ansiedade de palco e confiando cada vez mais na minha arte e tendo vontade de expandir isso. Me reconheci como artista, e hoje essa é uma fonte que simplesmente não se esgota”. O disco é também resultado de um processo íntimo e cuidadosamente feito com amigos e companheiros de composição: “Fazemos tudo no mesmo homestudio, do meu produtor musical, VZL SWAMI, e a masterização é feita pelo professor Alexandre Maiorino, do departamento de música da UFRN. E tem a participação de alguns instrumentistas como Ian Medeiros (bateria), Tinoc (produção eletrônica), e a backing vocal Tati Anolino em uma faixa (da banda Sourebel) como participação”. 

O projeto também nasce do desejo de apresentar ao Brasil uma nova perspectiva de cultura pop nordestina. “SALINA” é o resultado dessa alquimia entre sensibilidade, propriedade da qual nasce toda a inspiração, e a recolha de referências que são temperadas ao gosto da cantora e compositora, ofertando sua primeira produção longa para quem quiser provar. 

Tracklist

1. Salina

2. Prometo 

3. Canto da Sereira

4. Frenesi

5. Sigilo

6. Mirada

7. Latina BB

8. Pura Puríssima

9. Seus olhos

Pré-save de “SALINA”

Sobre Cami Santiz

Cami Santiz é cantora e compositora amazonense, radicada em Natal/RN, que constrói sua identidade artística a partir da fusão entre bregadeira, arrocha, chillwave tropical, lo-fi e pop. Nasceu em Manaus (AM), no Complexo da Lagoa Verde, e mudou-se com a família para Natal (RN) aos 10 anos. Sua sonoridade parte de um repertório afetivo amplo, que nasce da cultura de "paredão", bregadeira, bandas baile e chega ao pop contemporâneo brasileiro e internacional. Esse repertório se desdobra em uma linguagem singular, onde elementos da música popular nordestina são assimilados por meio de synths, guitarras atmosféricas e estética lo-fi, criando o que a artista classifica como "bregadeira lo-fi". A busca nessa estética é pela construção de um pop nordestino, com particularidades e características forjadas no projeto da artista. 

Nos últimos anos, a carreira de Cami Santiz se desenvolveu de forma rápida: iniciou publicando covers nas redes sociais em 2023 e, no mesmo ano, estreou nos palcos em festivais independentes como o Festival DoSol (Natal/RN). Junto às primeiras apresentações e os primeiros lançamentos, a artista ganhou visibilidade do seu trabalho em veículos de imprensa. Desde então, vem consolidando sua trajetória com os singles “Sigilo”, “Latina BB”, “Canto da Sereia”,  que integram o álbum de estreia "SALINA". Também passou por importantes espaços da indústria musical, como o Festival MADA 2024, Teatro Riachuelo 2024, foi Indicada ao WME 2024, participou de pitching no Coquetel Molotov 2025, do projeto Incubadora DoSol 2025 e se apresentou no palco do Festival DoSol 2023/24/25, sendo reconhecida como uma das apostas da nova música pop do Norte/Nordeste. 

A artista também foi indicada ao Prêmio Hangar de Música, a maior premiação musical do estado do RN, durante três anos seguidos, nas categorias de Melhor Feat 2024, Revelação Musical de 2025 e Música do Ano em 2026. Seu objetivo artístico é consolidar uma nova música pop brasileira com identidade norte-nordeste, atravessada por experiências pessoais, cultura popular e experimentação sonora, criando trilhas e composições que embalam romances quentes, litorâneos, com o balanço típico da vivência no nordeste e o sotaque nortista.

+SOBRE CAMI SANTIZ

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