Para a estrategista de marcas, Tamara Lorenzoni, o novo luxo esportivo aposta em curadoria, exclusividade e experiências que transformam futebol em símbolo de desejo e pertencimento
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A menos de um mês da Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México, o mercado de viagens de luxo já vive uma corrida silenciosa entre marcas de hospitalidade, agências especializadas e operadores internacionais. Com pacotes que ultrapassam R$ 3 milhões, o torneio deixou de ser apenas um evento esportivo para se consolidar como uma plataforma de experiências desenhadas para um público cada vez mais seletivo.
Entre os serviços oferecidos estão deslocamentos em aviação privada, hospedagens em propriedades reservadas, acesso a áreas VIP, encontros exclusivos, gastronomia assinada e roteiros personalizados que acompanham os jogos das seleções. O movimento acompanha uma mudança no comportamento do consumidor de alta renda, que hoje prioriza tempo, privacidade e vivências altamente curadas.
Para a estrategista de marcas com atuação internacional e especialista em mercado de luxo, Tamara Lorenzoni, o crescimento desse segmento revela uma nova lógica do luxo contemporâneo. “Hoje, o desejo não está apenas no acesso ao evento, mas na narrativa construída ao redor dele. A Copa passa a funcionar como um território de experiência e imersão sensível, onde cada detalhe comunica exclusividade, permanência e capital cultural. O consumidor desse mercado não busca ostentação ruidosa. Ele procura singularidade, curadoria e uma vivência que dificilmente poderá ser replicada”, afirma.
Segundo Tamara, a hospitalidade ligada a grandes eventos esportivos vem deixando de operar apenas na esfera do entretenimento para ocupar um espaço estratégico dentro do mercado global de luxo. “Existe uma sofisticação crescente na maneira como essas marcas desenham presença. Não se trata apenas de conforto ou acesso restrito, mas da capacidade de criar memória, pertencimento e legado emocional. O luxo silencioso ganha força justamente porque entrega excelência com sutileza”, analisa.
A Copa de 2026 também deve movimentar setores paralelos como moda, aviação executiva, gastronomia autoral e hotelaria internacional. Em destinos como Miami, Los Angeles, Nova York e Cidade do México, a expectativa é de forte valorização da hospitalidade voltada ao público de alta exigência.
Para Tamara, o cenário reforça uma mudança definitiva no consumo global. “O luxo contemporâneo não se sustenta mais apenas pelo produto. Ele se legitima pela experiência, pela coerência estética e pela capacidade de construir uma relação emocional duradoura com um público cada vez mais sofisticado e repertoriado”, conclui.