Colaboradores - Ruvin Singal

Gota d’Água, 50 anos: Georgette Fadel e Cristiano Tomiossi retomam montagem duas décadas depois

26 de Março de 2026

Vinte anos após a temporada de Gota d'Água Breviário, Georgette Fadel e Cristiano Tomiossi retornam aos papéis de Joana e Jasão em uma nova encenação do clássico de Chico Buarque e Paulo Pontes, intitulada GOTA D'ÁGUA – no tempo. A estreia acontece em 27 de março no Teatro Anchieta, do Sesc Consolação, com temporada até 3 de maio de 2026.

A remontagem da Cia. Coisas Nossas de Teatro tem parceria com Georgette, que assume a direção geral do espetáculo, e com Cristiano, na codireção. 

Escrita em 1975, durante a ditadura militar, Gota d’Água transporta a tragédia de Eurípides para o contexto de uma comunidade periférica do Rio de Janeiro, a fictícia Vila do Meio-Dia. A história acompanha Joana, abandonada por Jasão quando ele decide ascender socialmente ao se casar com Alma, filha de Creonte, poderoso proprietário do conjunto habitacional onde vivem.

Mais do que um drama amoroso, a obra constrói um retrato contundente das desigualdades sociais brasileiras e das relações de poder. Cinco décadas depois de sua estreia, o texto permanece atual.

“Joana não perdeu Jasão apenas para uma mulher; ela perdeu para o sistema”, afirma Georgette Fadel, que recebeu o Prêmio Shell de Teatro de Melhor Atriz em São Paulo, em 2007, por sua interpretação da personagem. 

Segundo a atriz e diretora, a força da peça está justamente na permanência de seus conflitos: “Os nomes mudam, as tecnologias mudam, mas a estrutura de exploração persiste.” 

GEORGETTE DIRIGINDO DE DENTRO DA TRAGÉDIA

Um dos aspectos singulares desta nova encenação é o fato de Georgette Fadel dirigir o espetáculo enquanto interpreta Joana. A artista conduz a montagem a partir de dentro da própria tragédia.

“Nesse espetáculo, a Joana também organiza a cena. Existe uma máscara que cola e permite trabalhar ao mesmo tempo de dentro e de fora da personagem - é por isso que essa direção é possível”, explica a diretora.

A montagem não reproduz a versão original, revisita o texto à luz de duas décadas de experiência artística.

Para a diretora, a força da obra está na permanência de seus conflitos: “Os nomes mudam, as tecnologias mudam, mas a estrutura de exploração persiste.”

UMA REMONTAGEM ATRAVESSADA PELO TEMPO

A primeira versão da montagem estreou em 2006 no Sesc Ipiranga, com direção de Heron Coelho e Geogette Fadel, e circulou por diversas cidades e festivais, incluindo o Palco Giratório, em 2007.

Agora, GOTA D’ÁGUA – no tempo mantém a crueza estética da encenação original — sem microfones e com poucos recursos tecnológicos — apostando na força da presença do elenco e da palavra.

“É uma afirmação de que o teatro pode acontecer mesmo nas condições mais simples”, comenta Fadel, em referência ao pensamento de Plínio Marcos.

A montagem também amplia a dimensão musical, com músicos em cena e canções como “Flor da Idade” e “Bem-querer”. A direção musical é de Marco França, com codireção de Alê Moura e direção de arte de Felipe Tchaça.

Parte do público poderá assistir ao espetáculo a partir do palco, compartilhando o espaço da Vila do Meio-Dia e vivenciando de perto a intensidade das relações entre os personagens, acompanhando a alegria, a dor e a resistência da comunidade.

UMA PARCERIA RETOMADA

A parceria artística entre Georgette Fadel e Cristiano Tomiossi nasceu justamente na montagem de Gota D’Água Breviário em 2006.

“Essa peça criou uma conexão muito forte entre a gente”, recorda Tomiossi. “Queremos preservar o frescor daquela época, incorporando o que vivemos nesses vinte anos.”

O espetáculo também marca um reencontro da Cia. Coisas Nossas de Teatro com sua própria origem, reafirmando uma pesquisa voltada à relação entre música e cena e ao diálogo com a dramaturgia brasileira.

GEORGETTE FADEL

Atriz e diretora formada pela Escola de Arte Dramática (EAD) da Universidade de São Paulo e ECA-USP, Georgette Fadel é reconhecida por sua versatilidade e engajamento com teatro político. Vencedora de dois Prêmios Shell de Teatro (incluindo Melhor Atriz em 2007 por Gota d'Água Breviário), dirigiu montagens marcantes como Biedermann e os Incendiários (Max Frisch) e Primeiro Amor (Samuel Beckett). Trabalhou com grupos importantes como Cia. São Jorge de Variedades e Cia. do Latão, em produções como Santa Joana dos Matadouros e O Nome do Sujeito. Entre seus trabalhos recentes estão Avenida Paulista, da Consolação ao Paraíso (2025), Fantasmagoria (2024) e Língua Brasileira (2022), em parceria com o diretor Felipe Hirsch. Dedica-se à formação de artistas, tendo lecionado interpretação na Escola Livre de Teatro de Santo André e no Estúdio Nova Dança.

CRISTIANO TOMIOSSI

Ator, músico e codiretor, Cristiano Tomiossi é coordenador da Cia. Coisas Nossas de Teatro, coletivo paulistano com origem nas reverberações de Gota d'Água Breviário. Ao longo de sua trajetória, trabalhou em importantes montagens de teatro musical e teatro político, consolidando uma pesquisa de 20 anos em teatro musical brasileiro. Sua parceria com Georgette Fadel começou em 2006 com a montagem original de Gota d'Água, que circulou por várias cidades e festivais. Agora, retoma o papel de Jasão e codirige o espetáculo, trazendo a maturidade de quase 50 anos e uma nova dimensão ao personagem.

SINOPSE

Vinte anos após a aclamada temporada de estreia de Gota D'Água Breviário, Georgette Fadel retorna à Joana e Cristiano Tomiossi a Jasão, com mais 11 atores e músicos, em Gota D´Água, com a direção geral de Fadel. O texto de Chico Buarque e Paulo Pontes traz a fábula grega da Medeia de Eurípides para o contexto histórico de uma comunidade periférica do Rio de Janeiro.

FICHA TÉCNICA

Texto: Chico Buarque e Paulo Pontes

Direção: Georgette Fadel

Codireção: Cristiano Tomiossi

Direção musical: Marco França

Codireção musical: Alê Moura

Elenco: Cristiano Tomiossi, Débora Veneziani, Georgette Fadel, Joaz Campos, José Eduardo Rennó, Laruama Alves, Leandro Vieira, Lilian Regina, Lívia Camargo e Mawusi Tulani.

Músicos: Alê Moura, Flávio Rubens, Ildo Silva e Renato Passarinho

Direção de arte e Iluminação: Felipe Tchaça

Direção de movimento de coros cênicos: Kleber Montanheiro

Direção de produção: Cristiano Tomiossi e Vanda Dantas

Direção de palco e contrarregra: Nilton Araújo

Cenotécnico: Zito Rodrigues

Assistente de direção: José Eduardo Rennó

Assistente de direção de movimento: Débora Veneziani

Assistente de direção de arte: Vanda Dantas

Assistente de produção: Gaê e Giovana Carneiro

Desenho e técnico de operação de som: JP Hecht

Assistente e Operação de luz: Felipe Fly

Designer e criação de identidade visual: Sato do Brasil

Fotógrafa: Barbara Campos

Filmagem: Felipe Corvello

Costureira: Dhenyse Iwone 

Gestão de Projeto: Cia. Coisas Nossas de Teatro e Colmeia Produções

Agradecimentos: A Xango: Kaô Kabecilê, Abel Marques, Adelaide Tomiossi, Ana Paula Minehira, Antonia Mattos, Athena Evangelista Carvalho, Bete Rodrigues, Casa Farofa, César Kawamura, Cia. Livre, Claudia Schapira, Cleuza Amaro da Silva Barbosa, Cris Cunha, Daniela Cabadas, Deivid Miranda, Eliane Pereira, Fábio Meira, Flane, Francisco das Dores Vieira, Giseli Malafronte, Isa Camargo, Inima Produções, João Alves, Karina de Amorim Silva, Luciana Alves da Silva, Luciana Borghi, Luiz Cláudio Camargo, Maria Aparecida Vieira Silva, Mica Matos, Nina Ayhu, Pedro Pita, Piero Abner, Renata Evangelista, Sonia Lúcia Vieira (em memória), Teatro do Incêndio, Tiago Weber, Thais Taverna, TV Cultura e equipe.

Agradecimentos especiais: Adriana Aragão, Alan Gonçalves, Alessandro Penezzi, Alexandre Krug, Alexandre Santo, André Capuano, Cibeli Bissoli, Cibeli Forjaz, Daniela Duarte, Flavia Melman (Xaxa), Heron Coelho, Juliana Osmondes, Juliana Saad, Kil Abreu, Laura Fajngold, Luciana Paes, Luís Aranha, Luiz Damasceno, Luís Mármora, Mariana Senne, Marat Descartes, Milton Morales, Miró Parma, Otávio Dantas e Richard Oliveira.

Realização: Sesc São Paulo

SERVIÇO

GOTA D´ÁGUA - no tempo

Com texto clássico de Chico Buarque e Paulo Pontes, direção geral de Georgette Fadel, codireção de Cristiano Tomiossi, com a Cia. Coisas Nossas de Teatro

Sesc Consolação - Teatro Anchieta - Rua Dr. Vila Nova, 245 - Vila Buarque, São Paulo - SP

Telefone para informações: 11 3234-3000

Temporada: 27/3 a 3/5/2026 

Horários: Sextas e Sábados, às 20h. Domingos e feriado (1/5), às 18h

Sessões em horários diferenciados: 

Dias 9, 16 e 23/4. Quintas, às 15h 

Lotação: 280 lugares | Duração: 180 minutos | Classificação: 16 anos 

Ingressos: R$70 (inteira) R$35 (meia entrada) e R$21 (credencial plena)    

Venda on-line em centralrelacionamento.sescsp.org.br  e no App Credencial Sesc SP 

Venda presencial nas bilheterias do Sesc São Paulo

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