Especialista reforça que vacinação é a única estratégia capaz de erradicar a doença e alerta para riscos da queda na cobertura vacinal
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| Silvia Nunes Szente Fonseca, médica pediatra e infectologista e docente da IDOMED |
Enquanto os Estados Unidos registram aumento expressivo de casos de sarampo nas primeiras semanas de 2026, o Brasil voltou a ser reconhecido como país livre da circulação endêmica da doença, após recuperar o certificado de eliminação concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS). O contraste entre os dois cenários reforça um ponto central defendido por especialistas: a vacinação em massa é a principal — e comprovadamente eficaz — ferramenta de controle e erradicação do sarampo.
De acordo com dados divulgados pelo CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA), o país já ultrapassa 900 casos confirmados apenas no início de 2026, com surtos em diferentes estados. A maioria dos registros envolve pessoas não vacinadas. Em 2025, os Estados Unidos já haviam enfrentado um dos maiores números de casos dos últimos anos.
Para a Dra. Silvia Nunes Szente Fonseca, médica pediatra e infectologista, docente do IDOMED (Instituto de Educação Médica), o cenário internacional é um alerta claro sobre o impacto da redução da cobertura vacinal.
“O sarampo é uma doença altamente contagiosa. Basta uma queda nas taxas de vacinação para que o vírus volte a circular rapidamente. A vacina é segura, eficaz e é a única forma de proteger individual e coletivamente a população”, afirma a especialista.
Segundo a médica, o Brasil demonstra que é possível controlar a doença quando há adesão às campanhas de imunização e compromisso com políticas públicas de saúde. O país já havia conquistado o certificado de eliminação em 2016, perdeu o status em 2019 devido à queda na cobertura vacinal e voltou a recuperá-lo após intensificação das estratégias de vacinação.
“Eliminação não significa que o vírus desapareceu do mundo, mas sim que não há transmissão sustentada no país. Para avançarmos da eliminação para a erradicação global, é indispensável manter coberturas vacinais acima de 95%”, explica Dra. Silvia.
A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). A infectologista destaca que a proteção coletiva depende da adesão da maioria da população.
“Vacinar é um ato de responsabilidade individual e social. Quando alguém deixa de se vacinar, não coloca apenas a si próprio em risco, mas também crianças pequenas, imunossuprimidos e pessoas que não podem receber a vacina”, reforça.
O avanço brasileiro mostra que a ciência e as políticas públicas baseadas em evidências seguem sendo as principais aliadas no enfrentamento de doenças infecciosas. Para os especialistas, o recado é claro: manter altas taxas de vacinação é fundamental para evitar retrocessos e avançar rumo à erradicação definitiva do sarampo.