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Rafaella Leal, pediatra e psiquiatra infantojuvenil, chama atenção para a crise de saúde mental

12 de Fevereiro de 2026

Entre adolescentes

Cuidar de crianças nunca foi apenas uma escolha profissional para Rafaella Braga Leal Reis foi um propósito de vida que se manifestou cedo. Natural de Niterói (RJ), ela conta que, aos dois anos de idade, já dizia que queria ser médica de criança O que parecia um sonho infantil se transformou em trajetória sólida: hoje, Rafaella Leal é médica pediatra, neonatologista e pós-graduada em Psiquiatria Infantojuvenil, com atuação voltada ao cuidado integral da saúde física e emocional de crianças e adolescentes.

Rafaella Leal

Foto: Divulgação

Desde a infância, a dedicação aos estudos já chamava atenção. Rafaella se alfabetizou sozinha aos quatro anos e desenvolveu um perfil marcado pelo hiperfoco no aprendizado, característica que carrega até hoje na vida profissional. O caminho até a medicina, no entanto, foi desafiador. Vinda de uma família com poucos recursos, enfrentou dificuldades financeiras e emocionais ao não passar no vestibular na primeira tentativa. Chegou a iniciar outro curso, mas não se sentia realizada. A aprovação em medicina veio depois, na reclassificação, mudando definitivamente o rumo da sua trajetória. Sem condições de arcar com a mensalidade, contou com o apoio da madrinha, que pagou o primeiro semestre até que ela conquistasse bolsa e financiamento estudantil. Desde então, Rafaella afirma com convicção: jamais pensou em desistir.

Outro acontecimento que marcou profundamente sua vida foi a perda do pai, experiência que ampliou ainda mais sua sensibilidade diante da dor emocional e do sofrimento humano, algo que hoje se reflete diretamente em sua forma de cuidar.

Além da formação técnica, a vivência da maternidade trouxe uma nova camada à sua atuação. Ela se define como estudiosa, extremamente planejadora e uma profissional melhor depois de se tornar mãe, unindo conhecimento científico e empatia na prática clínica.

Na rotina do consultório, a pediatra e psiquiatra observa um cenário cada vez mais frequente: adolescentes exaustos emocionalmente, ansiosos e muitas vezes sem espaço seguro para expressar o que sentem.

Estudos internacionais indicam que cerca de 1 em cada 5 adolescentes apresenta sintomas de ansiedade em algum momento dessa fase da vida. Para a médica, esse dado apenas confirma o que já é visível na prática clínica. “Muitos jovens chegam com dores físicas, irritabilidade, alterações de sono ou queda no rendimento escolar, mas, quando aprofundamos a escuta, encontramos uma ansiedade intensa que nunca foi nomeada nem compreendida”, explica.

Outro levantamento mostra que os diagnósticos de transtornos de ansiedade em adolescentes vêm aumentando de forma consistente na última década, fenômeno associado a pressões por desempenho, exposição constante nas redes sociais, inseguranças sociais e mudanças nas dinâmicas familiares. Para Rafaella Leal, esses números representam uma mudança profunda na maneira como os jovens estão vivendo e sofrendo.

A especialista alerta que a ansiedade não reconhecida pode abrir caminho para comportamentos de risco. Sem ferramentas emocionais para lidar com o sofrimento, muitos adolescentes recorrem precocemente a álcool e cigarro como tentativas de alívio rápido.

“O uso de substâncias, muitas vezes, é uma forma de tentar silenciar uma angústia que ninguém ajudou esse jovem a entender”, afirma. Em vez de apenas corrigir o comportamento, a médica defende a investigação da causa emocional por trás dele.

O trabalho de Rafaella Leal é fundamentado na ideia de que comportamentos são formas de comunicação emocional e neurobiológica. Ao ouvir crianças, adolescentes e suas famílias com atenção clínica e sensibilidade, ela ajuda a transformar sofrimentos invisíveis em cuidado estruturado.

Cada diagnóstico precoce e cada orientação adequada, segundo a médica, têm potencial para mudar toda a trajetória de desenvolvimento de um jovem. Além do atendimento aos pacientes, a profissional atua fortemente na orientação de pais e cuidadores, ajudando-os a compreender o comportamento infantil não como “problema”, mas como expressão de necessidades emocionais. Essa mudança de olhar fortalece vínculos e cria ambientes mais seguros para o desenvolvimento saudável.

Sua atuação vai além do tratamento: envolve prevenção, educação em saúde e promoção do neurodesenvolvimento, contribuindo para formar jovens mais conscientes das próprias emoções, mais regulados emocionalmente e mais preparados para enfrentar desafios.

Inspirada por referências internacionais da psiquiatria e do desenvolvimento infantil, como Anita Thapar, Jonathan Green e Pratibha Singhi, Rafaella mantém um compromisso permanente com o conhecimento. 

Seu trabalho já foi reconhecido com prêmios como INEQ e Top of Mind, reforçando sua credibilidade na área da saúde infantojuvenil.

Rafaella Leal
Foto: Divulgação

Apesar do reconhecimento, ela mantém os pés firmes no propósito que nasceu ainda na infância: cuidar. Seu conselho para quem deseja seguir a medicina é direto e coerente com sua história:

“Estude todos os dias.”

Para o futuro, o plano é simples e poderoso: ajudar cada vez mais pessoas, ampliando o acesso à informação e ao cuidado emocional de qualidade.

Conteúdos e orientações sobre saúde mental infantil e adolescente também são compartilhados em suas redes sociais profissionais: @drarafaellaleal.

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