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Ribeirão Preto registra quase 2 mil ataques de escorpião em 2025

19 de Janeiro de 2026

Número marca alta de mais de 32% em relação a 2024 e acende alerta para prevenção o ano inteiro

Camila Alvim, professora do curso de Biomedicina da Estácio

Ribeirão Preto encerrou 2025 com 1.989 ocorrências de ataques de escorpião, conforme dados do painel da Secretaria Municipal da Saúde, 32,4% acima dos 1.502 casos registrados em 2024, ano que já havia sido marcado por alta expressiva. A cidade chegou ao novo total com uma média de quase 5 ataques por dia ao longo de 12 meses.

Os meses de verão mantiveram maior incidência, mas o levantamento também mostra aumentos em períodos tipicamente menos críticos, como novembro e dezembro, este com 254 casos, o maior número mensal do ano e 8% acima de outubro de 2023.

Especialistas em saúde pública e toxicologia alertam que a grande maioria das ocorrências está associada ao escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), espécie adaptada às áreas urbanas e considerada a mais perigosa da América Latina devido à sua toxina potente.

Segundo Camila Alvim, professora do curso de Biomedicina da Estácio, a presença recorrente desse animal nas cidades está diretamente relacionada às condições encontradas no ambiente urbano. “O escorpião-amarelo não é agressivo, mas reage quando é pressionado ou ameaçado. Ao buscar abrigo em ralos, frestas, caixas de gordura e pilhas de objetos dentro das casas, o contato com moradores acaba sendo inevitável”, explica.

Além do risco de picadas, os números revelam um fenômeno preocupante: apesar da queda geral observada após o recorde de 2023, o patamar de ataques continua elevado, com cidades sustentando médias altas ao longo do ano e ampliando a exposição de crianças, idosos e pessoas com comorbidades aos efeitos do veneno.

Camila reforça que a prevenção deve ser contínua e não restrita aos meses mais quentes. “Medidas simples, como vedar frestas, eliminar entulhos, manter quintais limpos e controlar insetos, especialmente baratas, que são a principal fonte de alimento dos escorpiões, têm impacto direto na redução dos acidentes”, afirma. Ela também alerta que o uso de inseticidas não é indicado, pois pode aumentar a agitação dos animais e elevar o risco de novos acidentes.

No município, a atualização de protocolos de atendimento prioriza assistência imediata a crianças de até 10 anos em unidades de emergência e orienta encaminhamento para avaliação médica em casos de adultos com sintomas moderados ou graves. Em caso de picada, a orientação é buscar atendimento médico sem demora: o tempo até a administração do soro antiescorpiônico pode ser decisivo para o desfecho clínico.

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