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| Foto: Divulgação |
Receber o diagnóstico de câncer infantil é um dos momentos mais desafiadores para qualquer família. Além das implicações médicas, a notícia provoca um abalo emocional profundo que atinge pais, irmãos e cuidadores — e, inevitavelmente, reflete também na criança ou no adolescente em tratamento. O alerta é do oncologista pediátrico Dr. Afonso Pereira, em entrevista ao Doutor TV.
Segundo o especialista, o câncer infantil possui uma particularidade marcante: muitas vezes, o impacto emocional é maior nos familiares do que no próprio paciente, especialmente quando se trata de crianças pequenas. “A criança percebe a dor, os procedimentos, as internações, mas nem sempre compreende o significado da palavra ‘câncer’. Já os pais convivem diariamente com o medo da perda e a incerteza em relação ao futuro”, explica.
Esse cenário exige força emocional constante da família, que precisa lidar com seus próprios sentimentos enquanto transmite segurança e esperança à criança. Dr. Afonso destaca que, quando há união familiar, comunicação clara e apoio mútuo, as chances de adesão ao tratamento e de bons desfechos aumentam significativamente. “Famílias que conseguem caminhar juntas, com pai, mãe e rede de apoio alinhados, geralmente enfrentam o tratamento com mais equilíbrio”, afirma.
Por outro lado, o impacto do diagnóstico pode desestruturar completamente a rotina familiar. Tratamentos longos — que podem durar anos — levam, muitas vezes, ao afastamento do trabalho, dificuldades financeiras e desgaste nos relacionamentos. Em alguns casos, o especialista observa o enfraquecimento dos vínculos familiares, aumentando ainda mais a carga emocional sobre quem assume o cuidado principal da criança.
À medida que a criança cresce, sua percepção sobre a doença também muda. Adolescentes, por exemplo, tendem a enfrentar desafios emocionais adicionais, como vergonha, alterações na autoestima e resistência ao tratamento. “A adolescência por si só já é uma fase complexa. Quando associada ao câncer, pode dificultar a adesão terapêutica”, ressalta o médico.
Apesar das dificuldades, Dr. Afonso faz questão de destacar histórias de superação. Ele relata o caso de um paciente diagnosticado na adolescência que, após a cura, decidiu cursar medicina e hoje se prepara para seguir a mesma profissão. “A capacidade de resiliência do jovem é impressionante. Muitas vezes, a experiência com a doença se transforma em propósito de vida”, comenta.
O oncologista reforça que o tratamento do câncer infantil deve ser sempre multidisciplinar, incluindo não apenas médicos e enfermeiros, mas também psicólogos, terapeutas e assistentes sociais. O suporte emocional é essencial tanto para a criança quanto para a família, inclusive nos momentos mais delicados, quando decisões difíceis precisam ser tomadas. “Sem apoio psicológico, o peso emocional pode se tornar insustentável”, alerta.
Segundo o especialista, embora existam casos de insucesso, a maioria dos diagnósticos de câncer infantil hoje apresenta altas taxas de cura. E, em muitos casos, o processo fortalece laços familiares e redefine prioridades. “Vemos famílias que, após o tratamento, saem mais unidas, com novos propósitos e uma visão diferente da vida”, conclui.
A orientação final é clara: diante de qualquer suspeita ou diagnóstico, buscar ajuda médica especializada o quanto antes e não enfrentar o processo sozinho. Informação, acolhimento e apoio emocional fazem parte do tratamento e podem fazer toda a diferença no caminho da recuperação.
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| Foto: Divulgação |
Dr. Afonso Pereira – Médico Oncologista Pediátrico
Dr. Afonso Pereira é médico oncologista pediátrico, formado pelo Hospital da Baleia (BH) e atuante no Mato Grosso. Integra as redes ONCOLOG Cuiabá, ONCOPLUS e ONCOPRIME, levando atendimento especializado a crianças e adolescentes. É diretor do Hospital das Clínicas Primavera (MT) e referência no cuidado humanizado e integral aos pacientes oncológicos.
Contatos: @DrAfonso.oncoped