Por: Dr. Caio Bruzaca
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| Foto: Divulgação |
A perda gestacional é um evento profundamente doloroso e, ao mesmo tempo, cercado de silêncio. Muitas mulheres e casais enfrentam esse luto sem saber exatamente o que aconteceu — um cenário comum, já que mais da metade dos casos não possui causa definida. Segundo o Dr. Caio Bruzaca, as perdas podem estar relacionadas a fatores genéticos do casal, trombofilias, alterações hormonais e anomalias uterinas. Entretanto, quando não há investigação estruturada, especialmente da genética do bebê, o diagnóstico permanece inconclusivo, ampliando a angústia emocional.
A identificação da causa exige uma avaliação criteriosa. O primeiro passo costuma ser a investigação genética, realizada com o apoio de um especialista em genética médica. Exames simples de sangue podem apontar alterações importantes, como distúrbios de coagulação, alterações hormonais ou indícios de fatores imunológicos. Em alguns casos, o cariótipo com banda G do casal também é essencial para avaliar possíveis incompatibilidades cromossômicas. Esses exames ajudam a direcionar o tratamento e reduzem a insegurança sobre futuras gestações.
Para mulheres que passam por perdas gestacionais recorrentes, o processo diagnóstico é amplo, mas pouco invasivo. A maior parte dos exames é feita via coleta de sangue e não exige jejum, podendo ser realizada a qualquer momento. Após identificar a causa — ou ao menos reduzir as incertezas — é possível traçar um plano terapêutico adequado. Sem essa etapa, qualquer tentativa de tratamento se torna imprecisa, o que reforça a importância da investigação completa.
O impacto emocional é imenso e não pode ser subestimado. “Não medimos dor ou luto por idade gestacional; todo bebê importa”, enfatiza o Dr. Bruzaca. Esse entendimento reforça a necessidade de um atendimento verdadeiramente humanizado, no qual acolhimento, escuta ativa e validação do sofrimento são parte essencial da prática médica. O cuidado emocional não pode ser secundário — deve caminhar lado a lado com o diagnóstico.
As possibilidades de tratamento hoje são amplas e personalizadas. Em casos de fatores genéticos, a reprodução assistida com testes genéticos de embriões pode reduzir riscos. Para pacientes com trombofilias, o uso de anticoagulantes pode ser determinante. Já nos quadros relacionados à fase lútea, tireoide ou outras alterações hormonais, a reposição específica é capaz de restaurar o equilíbrio necessário para a gestação. Cada causa exige uma abordagem própria — e é essa individualização que aumenta as chances de sucesso.
Mais do que respostas médicas, casais que enfrentam perdas gestacionais precisam de acolhimento, informação e um plano de cuidado que respeite sua história. Com diagnóstico adequado e acompanhamento humanizado, é possível reconstruir caminhos e retomar o sonho da maternidade com segurança e esperança.
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Dr. Caio Bruzaca - Geneticista
Médico com atuação em São Paulo e atendimento em todo o Brasil via telemedicina, especializado em Genética Médica Reprodutiva. Realiza aconselhamento genético para casais com histórico de perdas gestacionais, consanguinidade e reprodução assistida, além de acompanhar casos de síndromes genéticas, autismo, doenças raras e suspeita de câncer hereditário. Promove prevenção, diagnóstico preciso e orientação personalizada
Contato: @dr.caiobruzaca