Por Dr. Osvaldo Simonelli
![]() |
| Foto: Divulgação |
A qualidade da relação entre médico e paciente é um dos pilares mais importantes da medicina moderna. Respeito, confiança e ética formam a base dessa parceria, influenciando diretamente o diagnóstico, a adesão ao tratamento e os desfechos clínicos. Quando esses elementos são valorizados por ambas as partes, cria-se um ambiente favorável para decisões mais acertadas e resultados mais positivos. Para isso, o médico deve tratar cada paciente de forma individualizada — mesmo diante da rotina corrida — enquanto o paciente precisa reconhecer que o profissional é quem detém o conhecimento técnico necessário para conduzir o cuidado.
Na era digital, o excesso de informação tornou-se um desafio adicional. Pacientes chegam aos consultórios munidos de pesquisas feitas na internet e muitas vezes acreditam já saber o diagnóstico ou o tratamento ideal. Surge, então, um novo perfil: o “cybercondríaco”, que pode dificultar o vínculo e gerar ruídos na comunicação. Cabe ao médico acolher essas dúvidas com clareza e embasamento científico, e ao paciente compreender que a internet não substitui a consulta médica.
Esse cenário reforça a importância da participação ativa do paciente nas decisões sobre sua saúde. A relação antes verticalizada torna-se, hoje, mais horizontal, com decisões compartilhadas. O médico continua sendo a principal referência técnica, mas deve oferecer informações suficientes para que o paciente compreenda riscos, benefícios e alternativas, tornando o processo mais transparente e colaborativo.
Entretanto, aplicar a chamada “consulta humanizada” ainda é um desafio. A judicialização da saúde e a perda de confiança, potencializada pela circulação de informações imprecisas, fazem muitos profissionais adotarem uma postura defensiva. Nos sistemas público e conveniados, a sobrecarga de atendimentos e a falta de estrutura também prejudicam o tempo e a qualidade da consulta, criando um ambiente desfavorável para o cuidado centrado no paciente.
Empatia, escuta ativa e transparência são ferramentas essenciais para evitar conflitos, medicalização excessiva e tratamentos inadequados. Quando médico e paciente se reconhecem como parceiros com um objetivo comum — a cura — a comunicação se torna mais assertiva, os erros diminuem e os resultados melhoram. Em muitos casos, o diagnóstico não está apenas nos exames, mas na conversa sincera que fortalece o elo que sustenta toda a prática médica.
![]() |
| Foto: Divulgação |
Osvaldo Simonelli – Advogado
Especialista em Direito Médico e da Saúde desde 2000, é mestre em Ciências da Saúde, autor do livro Direito Médico e professor reconhecido nacionalmente. Com ampla experiência na defesa e orientação jurídica de profissionais e instituições, une rigor técnico e atuação acadêmica para fortalecer a segurança e a ética nas relações médico-paciente.
Contatos: @osvaldo_simonelli