Sem rodadas milionárias nem time gigante, Bruno Adami lançou a Umatch ainda na faculdade. Hoje, aos 28, já leva sua tecnologia para os Estados Unidos e se posiciona como um dos jovens fundadores mais promissores da América Latina.
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Bruno Adami |
Foto: Divulgação |
Bruno Adami nunca quis ser apenas mais um engenheiro. Ex-atleta da ginástica olímpica e formado pela Poli-USP e pela Politecnico di Torino, canalizou a disciplina dos treinos de alto rendimento e a inquietação criativa da juventude para criar um negócio improvável: uma rede social exclusiva para universitários.
Fundada em 2020, a Umatch ultrapassou 1,3 milhão de usuários e acaba de dar os primeiros passos nos Estados Unidos. A ideia nasceu dentro da universidade, quando Bruno percebeu que os grandes aplicativos de relacionamento não ofereciam um ambiente seguro, confiável ou realmente alinhado ao que os jovens viviam na graduação. “As pessoas estavam conectadas, mas não havia um espaço feito para o universo acadêmico, onde todos estivessem na mesma fase de vida. Faltava identificação e autenticidade”, explica.
Antes mesmo do lançamento, a ideia já chamava atenção: em quatro meses, mais de 9 mil jovens haviam se pré-cadastrado. O crescimento foi consistente, sustentado por rodadas de capital-anjo — R$ 1,7 milhão no total — vindas de grupos como Poli Angels, Harvard Angels e Insead Angels. Parte dessa tração nasceu da própria experiência de Bruno como líder de comunidades: ele já havia cofundado os grupos Calistenia USP e Calistenia Poli no Facebook, que reuniam milhares de estudantes.
Hoje, a startup opera com uma equipe enxuta. A escolha foi intencional: “Fomos na raça, cortando desperdício e ouvindo nossos usuários. Isso nos forçou a ser mais criativos e rápidos”, afirma Bruno.
Essa forma de operar nasceu de sua trajetória como atleta de elite. “Minha mãe me colocou no esporte aos 6 anos, no Esporte Clube Pinheiros, e sou eternamente grato a ela por isso.” Anos depois, já como atleta profissional do clube, treinava até oito horas por dia. Nessa trajetória, representou o Brasil, conquistou o Pan-Americano juvenil de clubes e chegou à elite da ginástica adulta nacional, figurando entre os melhores atletas do país. “Aprendi que o preço da excelência é abdicação — e que não existe grande sucesso sem resiliência. É cair e levantar, sempre aprendendo algo novo”, diz.
Aos 23 anos, ainda cursando Engenharia de Computação na Poli-USP, lançou a Umatch com “uma mão no código e outra na estratégia”. Fez dupla graduação na Itália, trabalhou em grandes empresas e liderou projetos extracurriculares, sempre com a ambição de empreender em escala global.
Hoje, aos 28, representa uma nova geração de empreendedores brasileiros que desafiam as probabilidades. Para Bruno, a Umatch é apenas o começo: “A gente fala muito do Vale do Silício, mas também é possível criar tecnologia transformadora a partir do Brasil. Minha missão sempre foi criar produtos que transformem a vida de milhões de pessoas e mostrar que é possível começar no Brasil e, a partir daqui, gerar impacto global. A origem brasileira não é um obstáculo, é uma força.”