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Elaine Datti de Moraes explica sobre o jornalismo e a engrenagem tecnológica contra Deepfakes

20 de Outubro de 2022

Um vídeo sutilmente diferente, mas que, sem dúvidas, engana os mais desatentos ou, até mesmo, ainda que em menor proporção, os mais detalhistas. Assim começa a história de uma das telenovelas brasileiras no ar neste momento: uma mulher perseguida injustamente depois de ter seu rosto estampado em uma Deepfake, um vídeo manipulado que deu a ela, de repente, status de criminosa. Assim, a ficção dá espaço para a discussão de um dos problemas mais impactantes e atuais (porém, não recentes) quando falamos em comunicação: as Fake News, que agora vêm ganhando componentes tecnológicos extremamente potentes, para saírem dos textos e chegarem aos vídeos.

Foto: Divulgação

Com a Web cada dia mais inserida no dia a dia, o consumo de conteúdo, seja verdadeiro ou não, também cresce exponencialmente. Segundo a jornalista Elaine Datti de Moraes, com experiência de mais de 23 anos na área, “é urgente a demanda por apuração, em larga escala, da veracidade de vídeos lançados na web. Esse é um desafio que coloca em evidência a importância das agências de checagem, mas que, ao mesmo tempo, demonstra a necessidade de unir a capacidade humana à inteligência artificial, de modo a acelerar este processo.”

Esta percepção traz à tona a importância de desenvolver ferramentas capazes de solucionar este problema. Jornalismo e tecnologia da informação podem, juntos, por exemplo, desenvolver estratégias capazes de assimilar, categorizar e gerar estatísticas acerca dos conteúdos, estabelecendo e determinando as diferenças mais importantes entre os vídeos fakes e reais, criando uma forte base de dados capaz de dar um norte quanto à apuração, “filtrando” as notícias.

Existe uma população carente de informação sobre como diferenciar o que é real do que não é. E nem sempre as pessoas têm um jornalista à disposição para perguntar sobre isso ou que mostre minimamente os caminhos para averiguar a verdade. Por isso, existe um nicho aberto com enorme potencial para pensarmos em uma forma de unirmos as ciências humanas e tecnológicas e assim atingirmos mais diretamente uma grande camada da sociedade. Grandes empresas de comunicação seriam amplamente beneficiadas com o maior dinamismo na checagem de notícias, além de outras empresas, já que a comunicação interna nas companhias também pode esbarrar na tentativa constante de dissimulação dos fatos”, avalia Elaine.

Como as fake News representam um problema mundial e, aparentemente, incontrolável, a tendência é que estes tipos de vídeos fake sejam mais frequentes e cada vez mais aperfeiçoados quanto à qualidade e que a demanda por checagem só cresça. Por isso, distinguir a linguagem verbal, os elementos de edição, o envolvimento contextual pode ser facilitado com a ajuda da tecnologia e de uma ampla base de dados comparativos. “A operação conjunta de jornalistas e profissionais de tecnologia da informação pode ser a receita para a harmonia e assertividade nas checagens e apurações e este será o grande desafio da comunicação e da tecnologia nos próximos anos. É uma nova “virada” do jornalismo em que, além da capacidade humana de apuração, precisaremos da engrenagem tecnológica para caminhar a passos tão largos quanto os das Fake News”.

Foto: Divulgação

Sobre Elaine Datti de Moraes:

Elaine Datti de Moraes é jornalista há 23 anos e possui pós-graduações em jornalismo digital (MBA) e em Marketing Estratégico Digital (MBA), além de ter realizado curso sobre Fake News promovido pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital.

Iniciou a vida profissional aos 19 anos, selecionada entre 1000 candidatos para ser trainee na maior emissora de televisão do País: a Rede Globo, em São Paulo/SP.

Trabalhou como âncora em afiliadas da TV Globo e do SBT, além de assessorias de imprensa e jornais impressos, e agora se dedica a estudar o fenômeno das Fake News e as Deepfakes.

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