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LIDE Ribeirão Preto e LIDE Noroeste Paulista debatem impactos da pandemia na indústria de embalagens

25 de Fevereiro de 2021

As perspectivas e desafios para o ano de 2021, assim como os impactos causados pela pandemia em 2020, foram discutidos em um bate-papo online com a presença de Rogério José Mani, presidente do conselho de administração da Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis e de Gabriella Michelucci, diretora da empresa Klabin. O evento virtual foi promovido pelo LIDE Ribeirão Preto e LIDE Noroeste paulista nesta quarta, dia 24.

Gabriella Michelucci, executiva da Klabin - maior produtora e exportadora de papéis do Brasil - fez uma análise trazendo dados de consumo mundial, especialmente na China que adotou novas políticas ambientais e parou de importar 17 milhões de toneladas em 2020 e os novos hábitos no Brasil.

“Estes números repercutiram diretamente em todo o mercado global. Com as medidas de restrições no Brasil, o e-commerce se tornou a principal maneira de realizar vendas e compra de produtos. Segundo dados da Ebit|Nielsen apenas em 2020, houve um crescimento real de mais de 40% nas vendas on-line”, comenta.

No setor do papelão ondulado não foi diferente. O ano foi de oscilações segundo a Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO). No primeiro trimestre, o crescimento acumulado foi de 7,5%. Mas em maio, segundo mês da pandemia, o setor registrou uma queda acentuada de 12,5%. A recuperação aconteceu em junho e desde julho, quando registrou recordes mensais chegando a setembro com elevação de 15,4 %.

Mas o alerta para o desabastecimento é uma realidade segundo Michelucci. O controle da pandemia, as oscilações no ambiente político e a vacinação em massa pelo mundo são fundamentais para dar uma resposta ao movimento da indústria mundial. “Uma situação adversa e ruim para o ano é que estamos sendo pressionados pela procura e oferta pela matéria prima mundial. O setor de embalagens caminha junto com a indústria e a oferta de produtos e serviços está se adaptando de suas diferentes formas para balancear a produção com a falta de insumos e seu alto valor”, finaliza.

Dentro do debate, Rogério José Mani, presidente do Conselho de Administração da ABIEF (Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis) destacou que a embalagem dos produtos é uma parte essencial e estratégico para as empresas, seja qual for o material utilizado.

“Assim como o papel, também apresentamos queda e recuperação nos mesmos meses. São dois nichos que se complementam e são termômetros para a economia.  O que nos diferencia é que dependemos dos preços globais do petróleo – por termos componentes de fabricação dependentes deles e com isso nosso custo de produção também segue oscilando.  Em julho percebemos um crescimento absurdo na demanda global. Os estoques das empresas represados foram usados e houve um aumento do e-commerce. Esse novo modelo de compra e venda fez total diferença e acompanha essa mudança de comportamento do brasileiro”, comenta.

Mani ainda lembrou que o consumo de plástico, no período pré-pandemia crescia duas vezes o do PIB e isso, agora pode variar muito com o decorrer da pandemia e a oferta e procura pelos insumos globalmente.

“Após alguns meses, tivemos uma alta compra desses insumos pela China pois ela foi a primeira a sentir os impactos da pandemia e a primeira a dar sinais de retomada. As indústrias de petróleo pelo mundo desaceleraram pois estavam sentindo os impactos. Assim sendo, todo o estoque represado foi comprado pela Ásia. Agora o consumo cresceu e os preços subiram. O mercado varia com o câmbio e os insumos e preços da fabricação também.  Por isso, o pouco estoque ficou mais caro. Menos oferta maior demanda”, analisa.

O diretor recomendou ainda que as empresas que usam diretamente as embalagens se preparem para os próximos meses e façam seus inventários e estoques.

“A demanda pelas embalagens existe, evoluiu no mundo todo. Porém, os preços da matéria prima que já apresentavam um valor maior se mantém alto. Isso tudo, terá reflexo nos próximos meses e será repassado para a cadeira econômica. Teremos tempos desafiadores e as empresas precisam estar cientes e preparadas para esta falta de oferta no mercado”, finaliza Mani.

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