Colunistas - Patrícia Fernandes

ASSÉDIO MORAL NO TRABALHO ? Dra. Patricia Fernandes e Dra. Valéria Calente

17 de Dezembro de 2015

O que é o assédio Moral no Trabalho? É a exposição dos trabalhadores a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções, sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias e sem simetrias, em que predominam condutas negativas, relações desumanas e aéticas de longas duração, de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado (s) desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e organização, forçando-o a desistir do emprego.

O assédio moral no trabalho não é um fato isolado, ele se baseia na repetição ao longo do tempo de práticas vexatórias e constrangedoras, explicitando o estrago de determinar as condições de trabalho num contexto de desemprego, dessindicalização e aumento de pobreza humana.

A humilhação repetitiva e de longa duração infere na vida do trabalhador e trabalhadora de modo direto, comprometendo sua identidade, dignidade e relações afetivas e sociais, ocasionando graves danos à saúde física e mental, que podem evoluir para incapacidade laborativa, desemprego ou mesmo a MORTE, constituindo um risco invisível porém concreto, nas relações e condições de trabalho.

A batalha para recuperar a dignidade, a identidade, o respeito no trabalho e a autoestima, deve passar pela organização de forma coletiva através dos representantes dos trabalhadores do seu sindicato e das CIPAS e procura dos Centros de Referência em Saúde dos Trabalhadores (CRST e CEREST0, Comissão de Direitos Humanos e dos Núcleos de Promoção de Igualdade e Oportunidades e de Combate a Discriminação, em matéria de Emprego e Profissão, que existem nas Delegacias Regionais do Trabalho.

O basta a humilhação depende também da informação, organização e mobilização dos trabalhadores. Um ambiente de trabalho saudável é uma conquista diária possível na medida que haja “vigilância constante” objetivando condições de trabalho dignas, baseadas no respeito “ao outro como legítimo outro”, no incentivo a criatividade, na cooperação.

 

 

As manifestações do assédio segundo o sexo:

Com as mulheres: os controles são diversificados e visam intimidar, submeter, proibir a fala, interditar a fisiologia, controlando tempo e frequência de permanência nos banheiros. Relaciona atestados médicos e faltas a suspensão de cestas básicas ou promoções.

Com os homens: atingem a virilidade, preferencialmente.

O que a vítima deve fazer?

Resistir, anotar com detalhes toda as humilhações sofridas (dia, mês, ano, hora, local ou setor, nome do agressor) colegas que testemunham, conteúdo da conversa e o que mais você achar necessário;

Evitar conversa com o agressor, sem testemunhas;

Ir sempre com colega de trabalho ou representante sindical;

Exigir por escrito, explicações do ato agressor e permanecer com uma cópia da carta enviada ao Departamento Pessoal (DP) ou a Recurso Humanos (RH) e da eventual resposta do agressor;

Se possível mandar carta registrada, por correio, aguardando recibo.

O combate de forma eficaz ao assédio moral no trabalho exige a forma de um coletivo multidisciplinar, envolvendo diferentes atores sociais: sindicatos, advogados, médicos do trabalho e outros profissionais de saúde, sociólogos, antropólogos e grupos de reflexão sobre o assédio moral.

Estes são passos iniciais para conquistarmos um ambiente de trabalho saneado de risco e violências e que seja sinônimo de cidadania.

Importante!!!

Se você é testemunha de cenas de humilhação no trabalho supere seu medo, seja solidário com seu colega. Você poderá ser “a próxima vítima e nesta hora o apoio aos seus colegas também será precioso.

Não esqueça que o medo reforça o poder do agressor.

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